O meu primeiro livro de fotografia está editado e disponível para venda, no formato impresso e no de e-book para iPad.
Abaixo, é possível espreitar as 15 primeiras das suas 60 páginas e aceder ao site para comprar.
Agradeço todas as opiniões e comentários. :-)
E-book - 0,99€
Capa mole - 19,95€
Capa Dura - 35,94€
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25 outubro 2012
05 outubro 2011
08 agosto 2009
Descobri o Moodle!
Já no final deste ano lectivo frequentei uma acção de formação sobre o Moodle. Estou encantada!
Pretendo utilizá-lo com os meus alunos já no próximo ano lectivo. É que o Moodle permite-me não só a disponibilização de materiais online, como também me faculta uma comunicação mais fácil e prática com os alunos (por exemplo através dos fórums), permite-me receber os seus trabalhos via internet, saber quem acede à plataforma, ter e permitir aos meus alunos terem alguma privacidade relativamente aos comentários que adicionem, realizar tarefas interactivas e proceder à sua classificação no momento, etc., etc....
A seguir apresento um excerto do que escrevi no meu relatório de reflexão crítica que entreguei no final da formação.
"Hoje vão sendo cada vez menos os alunos que não podem aceder à internet em casa. Também vão sendo cada vez menos aqueles alunos para quem as palavras, login, download, upload, instalar, applet, etc. sejam estranhas ou lhes provoquem qualquer tipo de ansiedade. Este é um ponto fundamental para conseguir implementar ferramentas do tipo do Moodle com alguma facilidade e rapidez.
(...) o Moodle tem as seguintes vantagens:
· Não me impõe problemas de espaço para o armazenamento de ficheiros, havendo apenas o problema de não poder carregar para a plataforma ficheiros com mais de 16 Mb.
· Não preciso de ter conhecimentos de programação porque toda a dinâmica da plataforma é automática e já está construída e ao meu dispor. Só tenho de saber o que acontece quando utilizo cada uma das suas funcionalidades. (O que nem sempre é fácil, porque elas são muitas.) No entanto, os meus conhecimentos básicos e ínfimos de HTML têm-se revelado muito úteis para a formatação de alguns elementos que introduzo através dos códigos fornecidos pela Web e cujo aspecto com que surgem depois na minha página não corresponde ao que pretendo.
· O contacto com os alunos através da plataforma é muito fácil e eficaz, podendo ser feito em simultâneo com todos eles (quer comunicando em diferido utilizando os fóruns, quer comunicando em tempo real através do chat) ou podendo ser feito individualmente com apenas um aluno (através também do chat ou utilizando as ferramentas de envio de mensagens ou de correio rápido). Outra mais valia é que a informação veiculada pelos fóruns fica gravada e armazenada na disciplina, podendo ser consultada por todos a posteriori, com a vantagem de cada um poder dar o seu contributo, respondendo às questões colocadas ou emitindo a sua opinião sobre um determinado assunto que esteja a ser discutido.
· Posso carregar para a pasta de armazenamento de ficheiros do Moodle qualquer tipo de ficheiro e disponibilizá-lo para download. Além disso, muitos ficheiros podem ser visionados directamente no browser através da plataforma Moodle, sem necessidade de download por parte do utilizador: vários tipos de imagem, apresentações de slides (como as do powerpoint), documentos de texto (.doc e .pdf, por exemplo), vídeos, páginas da web, aplicações interactivas, aplicações java, escrita com símbolos matemáticos, citando aqueles que sei que funcionam e dos quais me consigo lembrar.
· O relatório e a estatística dos acessos à disciplina (quem acede, quando acede, que utilização faz dos materiais disponibilizados) é automática e quase em tempo real.
· O Moodle permite-me também “aplicar testes” interactivos aos alunos, mesmo sem a minha presença online em tempo real e devolver-lhes um feedback imediato sobre os seus resultados e progressos, quer através de mensagens de incentivo, quer através de uma classificação quantitativa. É o caso dos testes HotPatatoes e dos testes Moodle.
· Com o Moodle, a privacidade relativamente ao comum dos utilizadores da internet, está assegurada. Como administradora da minha disciplina posso controlar quem acede, que tipo de estatuto tem na utilização dos materiais disponibilizados e, inclusive, impedir ou alterar alguns conteúdos que eu considere impróprios e que tenham sido submetidos por um dos utilizadores. Além disso, há a possibilidade dos alunos submeterem trabalhos de modo a ficarem visíveis para todos os utilizadores da disciplina e também a de que só eu, como professora, os possa visionar.
Desvantagens do Moodle: assim de repente, não me consigo lembrar de nenhuma. É claro que a criação dos materiais e a sua disponibilização na plataforma requerem algum trabalho. Em alguns casos, trabalho árduo. No entanto, isso também acontece na preparação de outros tipos de aulas ou de materiais, provavelmente com menos vantagens. Além disso, e como já dei a entender no início deste documento, eu já estou habituada a este tipo de trabalho e disponível para experimentar outras ferramentas que venham a surgir.
Espero, em breve, utilizar muito pouco papel e gastar muito pouco dinheiro à escola em fotocópias. Bastará poder continuar a poder utilizar o Moodle ou uma ferramenta idêntica e que os alunos tenham, na maioria das aulas, a possibilidade de utilizarem um portátil e de gravarem ficheiros a partir dele para uma pen UBS.
Espero também vir a ter, a curto prazo, alguma disponibilidade para explorar melhor a construção de testes HotPatatoes e de Testes Moodle. Gostava também de experimentar a criação de Lições e de Books com o Moodle."
Pretendo utilizá-lo com os meus alunos já no próximo ano lectivo. É que o Moodle permite-me não só a disponibilização de materiais online, como também me faculta uma comunicação mais fácil e prática com os alunos (por exemplo através dos fórums), permite-me receber os seus trabalhos via internet, saber quem acede à plataforma, ter e permitir aos meus alunos terem alguma privacidade relativamente aos comentários que adicionem, realizar tarefas interactivas e proceder à sua classificação no momento, etc., etc....
A seguir apresento um excerto do que escrevi no meu relatório de reflexão crítica que entreguei no final da formação.
"Hoje vão sendo cada vez menos os alunos que não podem aceder à internet em casa. Também vão sendo cada vez menos aqueles alunos para quem as palavras, login, download, upload, instalar, applet, etc. sejam estranhas ou lhes provoquem qualquer tipo de ansiedade. Este é um ponto fundamental para conseguir implementar ferramentas do tipo do Moodle com alguma facilidade e rapidez.
(...) o Moodle tem as seguintes vantagens:
· Não me impõe problemas de espaço para o armazenamento de ficheiros, havendo apenas o problema de não poder carregar para a plataforma ficheiros com mais de 16 Mb.
· Não preciso de ter conhecimentos de programação porque toda a dinâmica da plataforma é automática e já está construída e ao meu dispor. Só tenho de saber o que acontece quando utilizo cada uma das suas funcionalidades. (O que nem sempre é fácil, porque elas são muitas.) No entanto, os meus conhecimentos básicos e ínfimos de HTML têm-se revelado muito úteis para a formatação de alguns elementos que introduzo através dos códigos fornecidos pela Web e cujo aspecto com que surgem depois na minha página não corresponde ao que pretendo.
· O contacto com os alunos através da plataforma é muito fácil e eficaz, podendo ser feito em simultâneo com todos eles (quer comunicando em diferido utilizando os fóruns, quer comunicando em tempo real através do chat) ou podendo ser feito individualmente com apenas um aluno (através também do chat ou utilizando as ferramentas de envio de mensagens ou de correio rápido). Outra mais valia é que a informação veiculada pelos fóruns fica gravada e armazenada na disciplina, podendo ser consultada por todos a posteriori, com a vantagem de cada um poder dar o seu contributo, respondendo às questões colocadas ou emitindo a sua opinião sobre um determinado assunto que esteja a ser discutido.
· Posso carregar para a pasta de armazenamento de ficheiros do Moodle qualquer tipo de ficheiro e disponibilizá-lo para download. Além disso, muitos ficheiros podem ser visionados directamente no browser através da plataforma Moodle, sem necessidade de download por parte do utilizador: vários tipos de imagem, apresentações de slides (como as do powerpoint), documentos de texto (.doc e .pdf, por exemplo), vídeos, páginas da web, aplicações interactivas, aplicações java, escrita com símbolos matemáticos, citando aqueles que sei que funcionam e dos quais me consigo lembrar.
· O relatório e a estatística dos acessos à disciplina (quem acede, quando acede, que utilização faz dos materiais disponibilizados) é automática e quase em tempo real.
· O Moodle permite-me também “aplicar testes” interactivos aos alunos, mesmo sem a minha presença online em tempo real e devolver-lhes um feedback imediato sobre os seus resultados e progressos, quer através de mensagens de incentivo, quer através de uma classificação quantitativa. É o caso dos testes HotPatatoes e dos testes Moodle.
· Com o Moodle, a privacidade relativamente ao comum dos utilizadores da internet, está assegurada. Como administradora da minha disciplina posso controlar quem acede, que tipo de estatuto tem na utilização dos materiais disponibilizados e, inclusive, impedir ou alterar alguns conteúdos que eu considere impróprios e que tenham sido submetidos por um dos utilizadores. Além disso, há a possibilidade dos alunos submeterem trabalhos de modo a ficarem visíveis para todos os utilizadores da disciplina e também a de que só eu, como professora, os possa visionar.
Desvantagens do Moodle: assim de repente, não me consigo lembrar de nenhuma. É claro que a criação dos materiais e a sua disponibilização na plataforma requerem algum trabalho. Em alguns casos, trabalho árduo. No entanto, isso também acontece na preparação de outros tipos de aulas ou de materiais, provavelmente com menos vantagens. Além disso, e como já dei a entender no início deste documento, eu já estou habituada a este tipo de trabalho e disponível para experimentar outras ferramentas que venham a surgir.
Espero, em breve, utilizar muito pouco papel e gastar muito pouco dinheiro à escola em fotocópias. Bastará poder continuar a poder utilizar o Moodle ou uma ferramenta idêntica e que os alunos tenham, na maioria das aulas, a possibilidade de utilizarem um portátil e de gravarem ficheiros a partir dele para uma pen UBS.
Espero também vir a ter, a curto prazo, alguma disponibilidade para explorar melhor a construção de testes HotPatatoes e de Testes Moodle. Gostava também de experimentar a criação de Lições e de Books com o Moodle."
28 janeiro 2009
Calendário de Aniversários
Mas a verdade é que um dos objectivos do Calendário do Advento era dar-lhe a noção do tempo que faltava para o dia de Natal e esse foi completamente atingido. Deixou de me perguntar se o Natal era no fim-de-semana seguinte e esperou pacientemente.
De momento, o assunto são os aniversários da família, sobretudo o dele que é já em Fevereiro. Por isso, agora temos um calendário de aniversários, com as fotografias de cada um dos tios, primos, irmãos, avós, etc. no respectivo dia de anos. Como somos uma família numerosa, há aniversários todos os meses, excepto em Novembro em que apenas colocámos a foto de uma amiguinha a cuja festa de aniversário costumamos ir.
E assim, todos os dias lá faz ele a respectiva cruzinha no dia em que estamos o que, por si, já é bom para treinar a destreza manual que não é lá grande coisa para a escrita. E já aprendeu muitas coisas, como por exemplo que o mês de Janeiro tem 31 dias e que a seguir vem o mês de Fevereiro. À conta disto, lá na escolinha já tiveram que começar a colocar na parede, todos os dias, o número da data correspondente, quando a intenção da educadora era apenas ensinar os dias da semana. :-)
PS - Se alguém quiser a grelha do calendário em PDF é só mandar-me um mail.
08 novembro 2007
O cheiro da Liberdade

É curioso como eu sinto o ar do centro da cidade muito mais respirável que o da bela e verde quinta onde dou aulas. Basta sair ao portão para fora e parece que até o trânsito é agradável.
Lá dentro o ar é pesado, circunspecto, revoltado e, às vezes, pestilento e sufocante.
26 outubro 2007
Bom fim-de-semana!
Digo-lhes eu à saída da sala de aula. Pergunto-me depois que sentido faz desejar um bom fim-de-semana a quem passa os sábados e os domingos da mesma forma que passa os dias de semana, ou até pior, já que de semana até estão fora da cela muito mais tempo para poderem ir às aulas. Pelo que me dou conta, só os domingos de quinze em quinze dias são dignos de registo para alguns deles, porque é quando recebem a visita de familiares e amigos.
Como dizia um deles um dia destes em tom de desabafo, ainda que com alguma boa disposição evidente na voz: "Isto de estar detido é muito triste."
Como dizia um deles um dia destes em tom de desabafo, ainda que com alguma boa disposição evidente na voz: "Isto de estar detido é muito triste."
24 outubro 2007
Hoje houve pancada
Estávamos nós dentro do Ó, já no final do tempo de intervalo a meio da manhã, à espera que os guardas nos abrissem as portas das salas, quando dois dos reclusos se pegaram à murraça, forte e feio. Eu levei uns segundos a perceber o que estava a acontecer (lerda!) findos os quais me arredei para trás o mais que pude, não fosse sobrar para mim algum soco perdido.
Depois, perguntei-me: mas onde estão os guardas? Olhei para trás, e lá estava um, muito "sogadito", a olhar impávido e sereno. Os outros reclusos mantiveram-se nos seus lugares, a maior parte sentados nos bancos do recreio, como se nada fosse, à excepção de um ou dois que foram separar os que lutavam.
Depois do intervalo, conversando com os guardas, ficámos a saber que eles, por norma, não se metem numa briga entre reclusos e que, se acontecer algo do género dentro da sala de aula, o que tenho a fazer é sair imediatamente.
Sim, senhor... fiquei mais descansada por saber que está sempre um guarda por perto...
Mas bem vistas as coisas, os guardas não poderiam agir de outra forma. Se se intrometessem na briga, o mais provável é que todos os outros reclusos se metessem ao barulho, na esperança de poder agredir o guarda, sob pretexto de acidente infeliz.
Enfim, estamos sempre a aprender.
Depois, perguntei-me: mas onde estão os guardas? Olhei para trás, e lá estava um, muito "sogadito", a olhar impávido e sereno. Os outros reclusos mantiveram-se nos seus lugares, a maior parte sentados nos bancos do recreio, como se nada fosse, à excepção de um ou dois que foram separar os que lutavam.
Depois do intervalo, conversando com os guardas, ficámos a saber que eles, por norma, não se metem numa briga entre reclusos e que, se acontecer algo do género dentro da sala de aula, o que tenho a fazer é sair imediatamente.
Sim, senhor... fiquei mais descansada por saber que está sempre um guarda por perto...
Mas bem vistas as coisas, os guardas não poderiam agir de outra forma. Se se intrometessem na briga, o mais provável é que todos os outros reclusos se metessem ao barulho, na esperança de poder agredir o guarda, sob pretexto de acidente infeliz.
Enfim, estamos sempre a aprender.
Porque sorriem?
Às vezes espanta-me, e quase me incomoda, o sorriso e a boa disposição de alguns deles. A minha primeira reacção é pensar que se fosse eu que estivesse no seu lugar, não teria a mínima vontade de sorrir.
Mas depois, penso que alguns, à parte da falta de liberdade, nunca tiveram tanto como têm ali: uma cama onde dormir, hora certa para comer e a certeza de comida na mesa. Até que ponto isso poderá valer mais que a liberdade?
Além disso, alguns deles estão ali há anos... e provavelmente eu também não seria capaz de me manter sisuda durante tanto tempo...
Um deles conta sair no final desta semana, depois de 5 anos de cativeiro. Tem agora 24 anos. Que anos bons ele perdeu!... Temo por ele. Neste curto período de tempo que com ele convivi não lhe percebi nem uma nesga de garra. E dificilmente será a preparação escolar que leva que o salvará...
Mas depois, penso que alguns, à parte da falta de liberdade, nunca tiveram tanto como têm ali: uma cama onde dormir, hora certa para comer e a certeza de comida na mesa. Até que ponto isso poderá valer mais que a liberdade?
Além disso, alguns deles estão ali há anos... e provavelmente eu também não seria capaz de me manter sisuda durante tanto tempo...
Um deles conta sair no final desta semana, depois de 5 anos de cativeiro. Tem agora 24 anos. Que anos bons ele perdeu!... Temo por ele. Neste curto período de tempo que com ele convivi não lhe percebi nem uma nesga de garra. E dificilmente será a preparação escolar que leva que o salvará...
17 outubro 2007
"Quem vê caras não vê corações"
Olho para eles e não consigo imaginar (quase) nenhum deles a fazer maldades...
12 outubro 2007
Experimentações
Ando a experimentar modelos que aproveitem mais o espaço do ecran. Aqui reaulta. Não sei se noutros formatos de ecran diferentes do meu, o espaço fica também mais optimizado.
As cores não são definitivas. Peço desde já desculpa se em alguma das visitas que tão gentilmente me fazem, apanharem algum susto...
Se estiver muito feio, por favor queixem-se.
As cores não são definitivas. Peço desde já desculpa se em alguma das visitas que tão gentilmente me fazem, apanharem algum susto...
Se estiver muito feio, por favor queixem-se.
09 outubro 2007
Quando o portão se fecha...

O dia amanheceu solarengo, mas com nevoeiro acumulado nos vales. Eu acordei às 6:30 para poder preparar tudo a tempo. Estava ansiosa e preocupada em chegar a horas porque não conhecia ainda todas as instalações.
Sempre a correr, lá cheguei quase 10 minutos antes da hora, como convém a quem vai às aranhas.
-Está nevoeiro - anunciaram as minhas colegas - escusas de ir com pressa.
-Ah, pois é!... Já nem melembrava disso... - disse eu, ao mesmo tempo que tentava arranjar a calma suficiente para ficar sossegada à espera que o nevoeiro se fosse embora.
Quando há nevoeiro não tiram os presos das celas, não vá um escapar-se pela vegetação densa da vasta e bonita quinta onde se situa o estabelecimento prisional.
Ficámos as cinco professoras em amena cavaqueira, a aproveitar o solinho quentinho da manhã e o cheiro a pinheiro húmido, até que, 45 minutos depois da hora prevista, chegaram os alunos. Todos homens, com idades entre os 17 e os 25 anos, todos de calça e casaco azul e t-shirt branca, a grande maioria de raça negra. Diferem no calçado, que vai da bota de pedreiro à sapatilha de marca.
Nós entrámos atrás deles para o recinto exterior às salas. O edifício das salas tem a forma de U e um portão de grades fecha esse U, que passa a ser um Ó. :-) Dentro do Ó é o "recreio" - com menos de 1oo metros quadrados.
Primeiro choque: o som do portão de grades a fechar-se nas minhas costas. Foi uma sensação horrível e totalmente inesperada. Por um segundo senti-me presa. Senti que se quisesse sair dali a correr não poderia. Depois lembrei-me que só ia ficar fechada por 45 minutos, o tempo até ao próximo intervalo, e passei à acção.
Nem consigo imaginar a angústia de saber-se preso dentro do mesmo lugar durante anos...
A primeira turma (11º ano) tinha dois alunos, sem material escolar, sem ganas nenhumas para nada e com muito sono. Ainda assim, depois de reclamarem por eu não me ter ficado pela apresentação e tchau-tchau-bye-bye, lá consegui que começassem a escrever e a participar na aula.
Hora do recreio: os alunos ficam todos dentro do Ó. Se quiserem lanchinho da manhã, têm que ir prevenidos . Ao passar em direcção ao portão (que se abriu, ufa!), senti um cheiro esquisito no ar, que não era só de tabaco...
Segunda turma: 10º Ano, 22 alunos, quase todos provenientes do 9º ano de um curso EFA - esses modernos que validam as supostas competências da malta, porque este país precisa é de gente diplomada, mesmo que sem bases sólidas.
Testaram-me ao limite: perguntaram se o que via correspondia ao que esperava encontrar, se eu dava aulas há muito tempo e se era a primeira vez que dava aulas ali, pediram para ir à casa-de-banho, aldrabaram a hora da formatura para ver se conseguiam sair mais cedo... Não houve abébias para ninguém e eu mantive-me firme e hirta como uma barra de ferro. Vamos lá ver se fiz bem... E a seguir às apresentações, tomem lá uma ficha de trabalho. Protestaram, mas eu expliquei-lhes que naquela sala ninguém estava preso. Só lá estava quem queria estar.
Nesta turma custou-me particularmente aguentar o cheiro concentrado a falta de banhos frequentes...
Hora do almoço, ouço um aluno lamentar-se: Outra vez batata cozida...
Como percebeu que eu ouvi, explicou-me: Estou cá há um ano e meio e desde que entrei, nunca mais comi uma batata frita. Contam os mais antigos que a fritadeira se avariou há uns cinco ou seis anos e desde então, nunca mais a arranjaram ou compraram outra. A mim, trazem-me batatas de pacote, mas não é a mesma coisa...
Eu cá, da próxima vez que comer batatas fritas caseirinhas, salgadinhas, deliciosas, vou apreciá-las ainda mais do que é costume.
À saída da prisão, há que abrir a bagageira do carro para mostrar ao guarda que não levamos connosco nenhum presente indesejado.
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29 setembro 2007
Fractais de Papel



Estes são três modelos de Fractais em papel, construídos com dobragens e recortes, que fiz para uma exposição sobre a geometria fractal, realizada durante o ano lectivo passado.
Eu disse "modelos de fractais" porque o que vêem não são fractais verdadeiros. Se assim fosse poderíamos ver a mesma estrutura repetida infinitas vezes, a escalas tão pequenas quanto quiséssemos. Mas não há tempo suficiente no universo para construir um fractal de papel assim; nem perícia para efectuar cortes com milésimas de comprimento, nem muito menos paciência para fazer tantas dobragens. Já bem me custou fazer as que se veêm nas fotos. É por isso que, fractais verdadeiros, só mesmo na nossa mente.

Os fractais foram construídos com base em modelos e instruções encontradas neste livro. De seguida está a tradução das páginas relativas a estes três modelos, mas no livro podem encontrar muitos mais e ainda mais algum material para exploração dos vários fractais.
Fractal Cuts
26 setembro 2007
Inteligência Artificial
Mais um leitor de mentes virtual. Mas este não é como o outro. Este adivinha mesmo aquilo em que nós pensamos, sem truques nem armadilhas.
Recebi o site por mail, enviado por uma colega da escola. Consiste num programa com uma base de dados enorme de objectos e das suas características. Ele aposta que consegue adivinhar o objecto em que estamos a pensar fazendo-nos até 20 perguntas. E não é que na maior parte das vezes ele descobre mesmo?!
Experimentem! É muito divertido. Eu costumava jogar este jogo com a minha irmã quando éramos pequenas e entretinhamo-nos horas com isto. E jogávamos também uma outra versão, que consistia em adivinharmos um verbo pensado pela outra. Para tal, a que tinha que adivinhar perguntava: "Gostas de cafeteirar?", "É divertido cafeteirar?" e assim por diante. A outra respondia "sim" ou "não", até a primeira adivinhar.
Enfim!...
Recebi o site por mail, enviado por uma colega da escola. Consiste num programa com uma base de dados enorme de objectos e das suas características. Ele aposta que consegue adivinhar o objecto em que estamos a pensar fazendo-nos até 20 perguntas. E não é que na maior parte das vezes ele descobre mesmo?!
Experimentem! É muito divertido. Eu costumava jogar este jogo com a minha irmã quando éramos pequenas e entretinhamo-nos horas com isto. E jogávamos também uma outra versão, que consistia em adivinharmos um verbo pensado pela outra. Para tal, a que tinha que adivinhar perguntava: "Gostas de cafeteirar?", "É divertido cafeteirar?" e assim por diante. A outra respondia "sim" ou "não", até a primeira adivinhar.
Enfim!...
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04 setembro 2007
Um desafio?!... Hummmm... gosto disso!

Pois é... bonito serviço! Por esta é que eu não esperava. Fui hoje à minha nova escolinha saber o que me tinha calhado na rifa, na distribuição de serviço para este ano lectivo. Ia esperando o melhor, mas preparada para o pior: aulas à noite (não dá jeito nenhum porque fico sem tempo para estar com os meus homens), MACS (que tem matéria que eu nunca vi na vida e que não me apetece estudar agora)... Mas não, nada disso! Tinha reservada uma surpresa: este ano vou dar aulas aos reclusos num estabelecimento prisional cá em Leiria.
Bom, nem é preciso dizer mais nada. Fiquei ali abananada por uns instantes e depois deu-me uma vontade imensa de rir porque o meu marido tinha ficado contente por eu não ter sido colocada numa outra escola onde o "ambiente" não é nada bom...
Mas depois comecei a recordar-me de comentários e opiniões que ouvi de colegas que já passaram por esta experiência. De repente, pareceu-me uma oportunidade excelente para crescer e um desafio muito, muito interessante. A minha amiga Marta, uma das primeiras a saber da novidade disse "Este ano vais ter muitas coisas interessantes para contar no teu blog!". E eu ainda nem tinha pensado nisso... mas bem vistas as coisas, acho que a experiência me vai proporcionar bons momentos de reflexão.
A primeira já surgiu: não quero saber os motivos que levaram a que cada um dos meus alunos merecesse estar naquele lugar. Quero pensar neles como pessoas capazes de aproveitar uma segunda oportunidade que a vida lhes dá. Interessa-me que sejam educados, interessados e trabalhadores.
E mais não digo. Hoje...
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